Muitos casais podem acreditar que basta ter relação sexual no período fértil sem uso de método contraceptivo já seja suficiente para obter a gestação.

Na verdade, a chance de gravidez espontânea em cada  ciclo menstrual  varia entre 15% a 20%. Ou seja, de todos os casais que tentam engravidar tendo relações sexuais frequentes durante o período fértil , cerca de 80% não engravidam naquele mês. Após alguns meses de tentativas, cerca de 70% dos casais engravidam em até 6 meses e 85% dos casais conseguem em até 1 ano. A infertilidade é definida como o insucesso em obter a gestação após 1 ano de tentativas, tendo relações sexuais frequentes e bem distruídas ao longo do ciclo menstrual sem o uso de qualquer método contraceptivo.

Para  conseguir engravidar rapidamente, é importante ter conhecimento básico do ciclo menstrual e saber o dia da ovulação.

O ciclo menstrual se inicia no primeiro dia de fluxo vermelho ( sangue vivo). Muitas mulheres apresentam um pequeno sangramento em borra ( amarronzado) e acreditam que esse seja o primeiro dia. Essa contagem errônea pode atrapalhar os cálculos do período fértil. O intervalo considerado normal varia de 25 a 35 dias e a duração de fluxo pode variar de 2 a 7 dias.

O ciclo menstrual apresenta 3 fases: a primeira fase é a fase proliferativa ( ou folicular), a segunda é chamada fase ovulatória (a ovulação propriamente dita) e a terceira fase é a secretória (luteínica).  A fase proliferativa é variável e apresenta influência do hormônio estradiol. Esse hormônio é produzido pelo folículo que irá crescer ( chamado folículo dominante) e atua no endométrio, fazendo com que esse cresça novamente após sua descamação do ciclo anterior. Quando ocorre a ovulação, entramos na fase secretória. Essa fase é fixa e tem duração de 14 dias. Nessa fase, aumenta a produção do hormônio progesterona, que atua preparando o endométrio que já cresceu pela ação do estradiol para receber um possível embrião que poderá se implantar. Se não ocorre implantação do embrião, o folículo que se rompeu durante a ovulação (agora chamado de corpo lúteo) regride, diminuindo a produção da progesterona e assim ocorre o fluxo menstrual. Resumindo, quando a paciente menstrua em um ciclo fisiológico (sem uso de contraceptivos hormonais), sabemos que ela ovulou 14 dias antes do fluxo vermelho vivo.

Para exemplificar, vamos comparar ciclos de 25, 28 e 35 dias.

Ciclo de 25 dias: ovula normalmente no 11º dia do ciclo ( 25-14= 11)

Ciclo de 28 dias: ovula normalmente no 14º dia do ciclo (28-14= 14)

Ciclo de 35 dias: ovula normalmente no 21º dia do ciclo (35-14 = 21)

Agora vamos a um dado interessante: de acordo com uma pesquisa americana, a maior chance de gravidez se dá quando a relação ocorre 2 dias antes da ovulação. O casal deve manter relações a cada 2 a no máximo 3 dias no intervalo de 6 dias, contando 3 dias da ovulação a 3 dias depois. Não se justifica ter relação diariamente nesse período. Para mulheres com ciclo menstrual regular, o ideal é ter relação 2 dias antes da ovulação e no dia da ovulação.

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Algumas dicas importantes:

–  algumas mulheres sentem dor pélvica ou pequeno desconforto no momento da ovulação. Tente observar esse sintoma.

– a avaliação do muco cervical pode ajudar a definir qual período fértil, porém não indica o dia exato da ovulação. O muco do período ovulatório é bem transparente e elástica, bem parecida com clara de ovo.

Geralmente o muco aparece nesse aspecto 2  a 3 dias antes da ovulação.

– a frequência de relações sexuais deve respeitar o desejo do casal. A maioria dos casais apresenta aumento do estresse quando começa a tentar engravidar e a necessidade de ter relação em dias determinados gera uma ansiedade extra. Lembre-se que antes de tudo a relação deve ser prazerosa para que se mantenha o apetite sexual. O intervalo entre as relações deve levar em consideração o ritmo de cada casal.

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– os testes de ovulação vendidos em farmácias detectam o pico do LH e podem dar positivo 2 dias antes da ovulação. Também podem ajudar, principalmente para aqueles casais que não conseguem ter relações sexuais frequentes.

Desvendando alguns mitos:

– A posição sexual não interfere na chance de gravidez e também não determina o sexo do bebê.  O mais importante é que o parceiro esteja bem excitado, pois a força e velocidade com o que o sêmen é ejaculado promovem a chegada dos espermatozoides no colo do útero em segundos.

– ficar deitada ou de pernas para cima após a relação não aumenta a chance de gravidez. No momento da ejaculação, o sêmen já atinge o útero em poucos minutos e o que ajuda o sêmen a subir para chegar na tuba uterina é a própria movimentação do útero e da tuba uterina. O tempo máximo que  recomenda-se ficar deitada após a ejaculação é de 5 minutos. O tempo excedente não traz qualquer benefício. Muitas vezes pode ter lido que permanecer deitada faz com que a gravidade ajude a subida dos espermatozoides. A posição anatômica mais comum do útero é a de anteversoflexão ( o útero repousa sobre a bexiga), ficando deitado quando a mulher está em pé ou sentada. Quando a  mulher está deitada, o útero ficaria em pé. Então,pela lógica da gravidade, o que seria indicado é que a mulher ficasse sentada após a relação. Porém, os estudos mostram que não há diferença nas chances de gravidez com qualquer posição da mulher após a relação, pois o transporte dos espermatozoides até as tubas dependem do próprio sêmen e desses movimentos peristálticos causados pelo útero e tubas.