Infertilidade

Endometriose e infertilidade – qual melhor tratamento?

maio 11, 2015 — by RodrigoRosa

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Infertilidade

Endometriose e infertilidade – qual melhor tratamento?

maio 11, 2015 — by RodrigoRosa

Cólicas intensas, desconfortos intestinais , infecções urinárias, dor durante relação sexual e infertilidade. Para cerca de 6 milhões de brasileiras, esses sintomas representam um pesadelo constante. A endometriose atinge cerca de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva ( de 13 a 45 anos) e ainda demora anos para ser diagnosticada e tratada de forma correta. O tempo entre o aparecimento dos primeiros sintomas e o diagnóstico é de 7 anos, em média. Isoladamente, a endometriose é responsável por 40% dos casos de infertilidade feminina.

A medicina reprodutiva, é fato, ainda não encontrou consenso a respeito de como abordar a infertilidade frente às diversas apresentações da endometriose.  Esse tema é constantemente abordado nos congressos de reprodução assistida, gerando muitas vezes discussões fervorosas.

A grande questão é que a origem da endometriose é múltipla, envolvendo susceptibilidade genética , fatores mecânicos, imunológicos e inflamatórios. Portanto, os mecanismos que causam infertilidade nas portadoras de endometriose também são diversos. E o tratamento, por sua vez, deve ser individualizado para abordagem correta de cada caso, pois a maneira com que a endometriose interfere na fertilidade também apresenta diversas formas.

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A grande discussão : realizar cirurgia para tratamento da endometriose ou partir para os tratamentos de reprodução assistida. Para os defensores do tratamento cirúrgico, as vantagens desse tratamento são a interrupção da evolução grave das lesões, a melhoria da dor e consequentemente da qualidade de vida, a possibilidade de se atingir a gravidez sem o intermédio do laboratório de FIV ou até de melhorar seus resultados. O problema no tratamento cirúrgico é a grande possibilidade de perda significativa da reserva ovariana, dificultando ainda mais a possbilidade de gestação no futuro. Para os  defensores da fertilização in vitro como o tratamento mais indicado para as mulheres com endometriose e que desejam engravidar, as vantagens da FIV são: menor invasividade (pois a cirurgia sempre é mais complexa e com maior tempo de recuperação) e as taxas de gestação após a fertilização in vitro são maiores quando comparadas às mulheres que tentaram  engravidar esponteneamente  por 6 meses após a cirurgia de endometriose. Em contrapartida, as taxas de gravidez através da FIV são menores nas mulheres com endometriose quando comparadas com pacientes na mesma faixa etária sem a doença, possivelmente em decorrência da má qualidade dos óvulos obtidos ou má qualidade do endométrio devido aos mediadores inflamatórios da endometriose.

A FIV convencional e a transferência em blastocisto poderiam ser estratégias interessantes para pacientes com endometriose, mas o consenso é que o tratamento deve ser individualizado.

Nas pacientes com endometrioma e/ou endometriose profunda, também não há consenso. É certo de que o endometrioma atrapalha o crescimento dos folículos ovarianos, mas sua retirada cirúrgica reduz a reserva ovariana. Alguns trabalhos demonstraram que endometriomas  de até 4-5 cm de diâmetro não deveriam ser retirados, enquanto que a retirada cirúrgica de endometriomas maiores poderia ser benéfica, apesar da redução da reserva ovariana.

Ainda precisamos de muitos estudos para termos respostas sobre o melhor caminho  a seguir e a única verdade atualmente é que a indicação do tratamento deve ser personalizada, levando-se em consideração a visão holística da paciente, seu passado terapêutico, sua qualidade de vida e suas perspectivas reprodutivas.